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  • A importância de aceitar que não controlamos tudo que ocorre em nossas vidas

    Num mundo que valoriza posições polarizadas, é possível construir conexões autênticas? A pesquisadora Brené Brown passou pela TED e fez uma ótima palestra sobre como a vulnerabilidade influencia nas relações interpessoais e na construção de nossas identidades.

    Em sua pesquisa, ela explorou o que nos impede de fazer laços reais. Quando somos dominados pelo medo e a vergonha, julgamos não merecer conexões sociais fortes.

    Segundo Brown, ao invés de encararmos a questão, nós fazemos o incerto parecer certo. “Minha religião é a correta; suas crenças, erradas”. Na política, substituímos o debate pela necessidade de apontar culpados. Seguimos com esse padrão, pois “acreditamos” que nossos atos não impactam outras pessoas.

    Vivemos num mundo vulnerável, mas decidimos ignorar nossos sentimentos, reflete Brown. Anestesiamo-nos gastando muito, comendo em excesso, usando remédios em demasia etc. Para ela, não é possível contornar essas questões seletivamente. Quando anestesiamos sentimentos pesados, também comprometemos a alegria, a gratidão e a felicidade.

    Iniciamos um ciclo nocivo, de fuga, no qual nos entregamos ao consumo. Distanciamo-nos, assim, de sermos autênticos e reais. “Vulnerabilidade é o berço de inseguranças, mas também da criatividade, do pertencimento e do amor”, pondera.

    Há pessoas que compreendem isso, chamados por Brown de corações-plenos. São indivíduos que aceitam o imponderável da vida. Em comum, cultivam a coragem (de serem imperfeitos), compaixão (consigo e com os outros, nessa ordem) e a… Vulnerabilidade. Ao invés de prever e controlar, abraçam novos caminhos, mesmo sem a certeza do sucesso.

    Imagem via Flickr

  • O negacionismo da razão


    O cientista cognitivo Philip Fernbach defende que estamos vivendo uma epidemia de notícias falsas. Hoje, é comum desafiar o consenso científico sobre questões como vacinação e aquecimento global.
    Para Fernbach, somos suscetíveis a inverdades porque não sabemos o bastante para justificarmos o que acreditamos. Por isso, muito do que defendemos não se baseia no que está em nossa mente, pois não somos programados para armazenar muita informação detalhada.
    Essa limitação não seria um problema para a evolução humana pois, segundo Fernbach, “o pensamento é um processo social“.
    “Cada um de nós tem uma fatia de conhecimento, e nossas mentes são programadas para colaborar e compartilhar ideias, o que nos permite alcançar objetivos extremamente complexos”, avalia.
    Nem sempre a partilha de ideias é positiva. Isso fica mais evidente quando navegamos online. A sensação de conhecimento ilimitado é calcada nas pessoas que estão ao nosso redor.
    Essa crença faz com que o grupo defenda com entusiasmo determinada ideia: “Eu acredito porque meus iguais acreditam”. Na prática, as pessoas defendem aquilo que escutaram repetidas vezes em seu grupo. Fernbach compreende que “quando expressamos nossas opiniões, estamos canalizando nossas comunidades de conhecimento”.

    Acreditamos que nossas opiniões resultam de um processo racional de avaliação de evidências, por isso criticamos outras interpretações. Quem não pensa como eu seria estúpido, incapaz de realizar a mesma análise criteriosa.
    A solução para visões distorcidas e simplistas do mundo? Sermos mais criteriosos em relação às nossas fontes. Além disso, aponta Fernbach, precisamos “praticar um pouco mais a humildade intelectual, abrir a mente para a possibilidade de que algumas dessas falsas crenças talvez surjam na comunidade que integramos”.

    Imagem via Flickr

  • Saúde mental masculina em foco: pesquisa revela desafios

    Uma nova pesquisa realizada pelo Instituto Ideia em parceria com a revista GQ revelou um panorama complexo da saúde mental masculina no Brasil. O levantamento, que ouviu quase 700 homens, apontou que questões como estresse, ansiedade e depressão são cada vez mais comuns entre os brasileiros. A pesquisa também explorou aspectos como autoestima, cuidados com o corpo, sexualidade e a relação com o machismo, oferecendo um retrato detalhado da saúde mental masculina no país.

    Os dados são superlativos: 83% dos homens já vivenciaram o estresse, 74% a ansiedade e 34% a depressão. As principais causas apontadas foram o endividamento e a insatisfação profissional. Curiosamente, apesar desse cenário desafiador, a autoestima masculina é significativa, com 47% se considerando bonitos. No entanto, essa autopercepção positiva não se traduz em uma busca desenfreada por procedimentos estéticos, já que apenas 13% considerariam a cirurgia plástica e 9% o botox.

    A pandemia e as incertezas do momento presente parecem ter impulsionado a busca por bem-estar integral entre os homens. Enquanto 16% já experimentaram a terapia e 65% se mostram abertos a ela, evidenciando um avanço na busca por saúde mental, a saúde física também se destaca como uma preocupação. 89% relataram dores de cabeça e 82% dores nas costas, indicando a necessidade de cuidados em ambas as esferas. A pesquisa ainda revela desigualdades, com homens de classes mais altas apresentando maior índice de atividade física.

    O levantamento igualmente aprofundou a discussão sobre a sexualidade masculina. 25% dos entrevistados enfrentam dificuldades de ereção e 33% lidam com ejaculação precoce. 

    Outro foco relevante foi a percepção dos homens sobre as mulheres. Enquanto a maioria observa qualidades femininas, como inteligência e talento profissional, 44% rejeitam o movimento feminista, contrastando com os 34% que o apoiam.

    A pesquisa também analisou o comportamento dos homens mais jovens. Eles são mais propensos a enviar nudes e consumir pornografia. Por outro lado, é a faixa etária que menos valoriza o sexo físico. Além disso, também são os mais resistentes a buscar terapia. A taxa de estresse entre os jovens alcança 89% desse grupo etário. Apesar disso, 25% deles não procurariam ajuda especializada. 

  • O silêncio dos homens

    O tema da masculinidade tem ganhado cada vez mais espaço nas conversas. Um dos aspectos mais complexos e controversos dessa discussão é o silêncio dos homens. Como abordar essa questão sem cair em estereótipos ou generalizações?

    Em um episódio do Podcast da Semana sobre masculinidades, os convidados Ismael dos Anjos e Guilherme Nascimento Valadares trouxeram insights para essa discussão. Para eles, a sociedade molda os homens a silenciar seus sentimentos, associando a vulnerabilidade à fraqueza.

    A repressão dos sentimentos, pontua Ismael dos Anjos, leva a relações interpessoais mais rígidas e violentas. Valadares, ao afirmar que ser homem tem a ver com responsabilidade, destaca a importância de educar desde cedo para essa questão. Assim, os homens podem compreender que a expressão de emoções não é uma fraqueza, mas sim um sinal de maturidade e saúde emocional.

  • Biografia do silêncio

    Senti raiva ao ler esse livro. Muitas vezes, inclusive. Explico. Geralmente, levo no transporte coletivo um livro com capítulos menores, caso de “Biografia do silêncio”. Assim, posso ficar atento à leitura e ao que me circunda, como observar se meu ponto se aproxima. Entretanto, esse livro é tão bom que mergulhei nele completamente. E quase perdi a parada diversas vezes.
    “Biografia do silêncio” é uma obra de múltiplas qualidades. Ele te ganha tanto pela força do relato quanto por sua escrita poética. O livro desperta uma fome de serenidade, de dias com menos ruído. 
    A prosa de Pablo d’Ors é outra virtude. Seu relato é dominado pelo lirismo. Dá vontade de ler a obra em um único momento. 
    Apesar da boa prosa, abraçar o silêncio não é algo simples. Pablo fala da dificuldade de manter o foco. Não raro, o autor sente tédio ou sua mente se distrai. 
    Se você procura um manual de meditação, esse livro não é para você. Ele não é um guia, não traz um passo a passo. A força do título é mostrar como observar o silêncio pode contribuir para a paz individual. E como isso serve de base para a construção de si.

  • Cada um no seu quadrado

     O Social Distance Dance Club funciona como um espaço para bailar em grupo, embora com distanciamento. Nesse projeto, os participantes ouvem a música em pontos iluminados por luzes coloridas. O músico David Byrne é um dos criadores.

  • Manual do Skate

  • Academias abrem portas para todos os corpos: saúde para além da estética

    O ambiente da academia, frequentemente associado a corpos perfeitos e competitividade, pode ser um obstáculo para muitas pessoas que buscam uma prática de atividade física mais leve e prazerosa. 

    Para Gabriela Malzyner, psicóloga, essa aversão é compreensível. A ênfase na estética em detrimento da saúde e do bem-estar pode gerar frustração e exclusão.

  • Tirando onda

    Quando a onda surgiu, eu já estava na água havia três horas e meia. O foco principal era não cair. Só pensava em segurar a velocidade e fazer a linha correta para que a onda não me engolisse
    – 

    Maya Gabeira

    Maya Gabeira agora faz parte do Guinness Book. Entre as mulheres, a brasileira é a que surfou a maior onda do mundo. Em janeiro desse ano, em Nazaré (Portugal), ela escalou uma onda de 20 metros.

  • Mãos à obra, geração shuffle: quando a tendência é resgatar o que passou



    Oprah Winfrey botou uma bela capa numa edição da sua revista. A matéria principal você encontra aqui. Um dos tópicos, que fala sobre sobre acampamentos artísticos, prega: arrume as malas e deixe sua criatividade florescer.

    Essa tendência de valorizar produtos e serviços feitos com as próprias mãos está no começo de uma nova fase: dessa vez, não há recorte geracional tão claro. O bordado da vovó adorna o estilo de jovens antenados.

    Não se trata apenas da mera valorização do que é tradicional, de resgate da produção regional: para além da diferenciação de grupos étnicos, essa prática serve para dar conta da identidade de quem opta por esse caminho. Para isso, são utilizadas diversas tradições, muitas distantes da sua comunidade original. Pessoas possuem interesses múltiplos, e querem transformar em hábitos e produtos essas referências. A internet atua como uma porta de entrada para outras possibilidades. É a premissa do “Pense globalmente, aja localmente” sendo adotada no universo particular.

    Mesmo símbolos tradicionais, como alianças de casamento, são forjados manualmente por quem irá utilizá-los. Há empresas que disponibilizam esse tipo de serviço. O pacote inclui curso de criação do produto. A ideia é tornar a experiência mais pessoal: produtos traduzem interesses individuais. Uma aliança que homenagear o jogo Dungeons and Dragons? É possível.

    O mundo digital acolhe essa onda. O Etsy e o descolado Tumblr são espaços virtuais em que a produção DIY (Do It Yourself; faça você mesmo) recebe atenção privilegiada. Através de criações caseiras, pessoas expressam facetas da sua personalidade. Exemplo: no Tumblr, manicure é sinônimo de grande investimento pessoal.

    O contato inicial é facilitado através de tutoriais diversos. Muitos deles em vídeo. Grande parte traz orientações de beleza ou vestuário (como se maquiar;  passo-a-passo para fazer tricô ou bordado…), mas é possível encontrar vídeo aulas sobre uma infinidade de técnicas.

    O impacto na moda é uma evolução natural. Num cenário de valorização do estilo pessoal, faz sentido abraçar irrestritamente tendências massificadas? Dessa forma, blogs de moda diversificam sua atuação.  O espaço que realizada trabalho de curadoria das peças vira também ambiente para troca de experiências.

    Essa prática faz parte de um fenômeno maior, já que não se restringe a quem produz o que consome. A cultura retrô é uma característica da “geração shuffle”, que mistura práticas e costumes de várias épocas.

    Não se trata de uma negação dos avanços tecnológicos, até porque muitas das ferramentas atuais são utilizadas nessa tendência nostálgica. O resgate de técnicas antigas pode ser observado pela popularidade conquistada pelos aplicativos que adicionam filtros em fotos, como o Instagram. Daniela Bertocchi, especialista em mídias digitais, explica que:

    “Os aplicativos que exploram […] o retorno à imperfeição, aos defeitos das máquinas antigas, a um tempo mais romântico, o alcançam, porque nós vivemos numa época muito centrada na tecnologia, no robô, naquilo que é frio e racional. Uma forma de humanizar isso é retornar ao tempo em que a máquina era menos precisa, conseguia resultados não tão satisfatórios. E atendem às demandas da cultura digital, porque são mobile, registram a experiência como imagem, informam a localização, o que torna todo o processo mais lúdico e divertido”

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