Uma das características mais associadas às novas gerações é a capacidade de realizar várias tarefas simultaneamente, atribuída ao fato de serem nativos digitais e estarem imersos na multitarefa desde cedo. Contudo, um estudo recente conduzido pelo professor Clifford Nass, de Stanford, desmente essa ideia. A pesquisa avaliou as habilidades necessárias para executar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, como filtrar informações externas, recuperar dados importantes da memória e alternar entre atividades com facilidade, e constatou que os participantes multitarefas apresentaram desempenho inferior em todas essas áreas.
Nass destaca que quanto maior a probabilidade de alguém realizar tarefas múltiplas, pior é o desempenho dessa pessoa. Os multitarefas extremos tendem a focar em informações irrelevantes, demonstram memória comprometida e dificuldade em alternar tarefas. “É dessa forma que seus cérebros são agora construídos”, afirma.
Além das limitações cognitivas associadas à multitarefa, outros desafios relacionados ao uso das novas tecnologias têm ganhado atenção. A psicóloga Tracy Alloway, da Universidade de Stirling, ressalta que videogames podem estimular habilidades cognitivas, enquanto plataformas online teriam efeitos negativos na inteligência, embora essa última afirmação careça de maior consenso científico.
Este espaço procura aprofundar a reflexão sobre o impacto das novas mídias e tecnologias. Reconheço suas qualidades, mas também discuto os desafios que acompanham seu uso, como os riscos das mídias sociais, a falsa meritocracia online, falhas nos sistemas de busca, consumo superficial de informação, o aumento do criticismo, a urgência na divulgação de notícias, o cyberbullying, questões sobre quem arca com os custos da economia digital, novos parâmetros de privacidade, concentração do mercado de serviços online, a busca por popularidade, exposição excessiva da vida pessoal, má gestão do tempo e uso excessivo de dispositivos eletrônicos.

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