A tecnologia ainda vai dar muito trabalho

Anda preocupado com a precarização do emprego? Melhor se preparar para os novos tempos. A tecnologia ainda vai dar muito trabalho. No mal sentido: a terceirização será tomada pelas máquinas.

A Folha comenta o livro “Rise of the Robots”, de Martin Ford. A obra aborda os impactos da automação no mercado de trabalho.

Viajar no tempo para destruir a Skynet não resolverá a questão. De fato, não precisamos recuar ou avançar o relógio: uma possível solução já existe. Se é contra programas de transferência de renda, como o bolsa família, talvez seu futuro dependa de iniciativas do tipo. Para Ford, implementar o “dividendo cidadão”, um ajuda mensal para todos os adultos, seria a solução. Antes de caracterizá-lo como luddista, confira suas ideias:

“A argumentação de Ford é que nossa atual revolução tecnológica é diferente das anteriores. A maioria dos economistas discordaria. A posição deles é que os deslocamentos atuais são semelhantes aos registrados na transição da agricultura para a indústria. […] Da mesma forma que ex-trabalhadores agrícolas encontraram empregos em fábricas, os ex-trabalhadores industriais demitidos foram reempregados pelo setor de serviços. A revolução da tecnologia da informação não será diferente, dizem os economistas.

[…]Ford encontra dois grandes furos nessa visão otimista do futuro. Os efeitos da revolução atual são generalizados. […] Quase qualquer trabalho que envolva sentar diante de uma tela e manipular informação está desaparecendo, ou o fará em breve. Nenhum ser humano consegue concorrer com os custos da automação em queda impiedosa.

[…] Ao desviar os lucros da nova economia para alguns poucos, os robôs enfraquecem o principal propulsor de crescimento –a demanda da classe média.
Conforme a força de trabalho se torna pouco econômica com relação às máquinas, o poder aquisitivo diminui.”

Jornalismo datado

O big data está cada mais vez presente nas reuniões de pauta. Há quem
diga que ele já assumiu como editor das publicações. Segundo a Columbia Journalism Review, duas visões dominam os debates.

Alguns criticam a importâcia das métricas
pois evidenciar as escolhas do público faz com que assuntos importantes
percam espaço para temas fúteis. 

Por outro lado, defensores
explicam que orientar decisões editorias a partir de dados cria um
sistema mais democrático no ciclo de produção da notícia: os interesses
do leitor passam a ser mais importantes que as preferências dos
jornalistas.

Se depender da internet, Christian Grey não morrerá de tédio. Segundo o The Morning News, é possível encontrar TODAS as preferências sexuais na grande rede. Para comprovar, eles listaram algumas opções peculiares.

Uma das práticas sexuais que despontam é a mumificação, que consiste em dominar sexualmente uma pessoa ao envolvê-la de uma forma que restrinja o movimento. Outros alimentam sua libido ao esfregar sujeita e rasgar roupas para tornar feio o que é bonito. Há quem se satisfaça ao transferir dinheiro para outros; pessoas cujo tesão está relacionado a massa ou pão e mesmo aqueles que apenas curtem lamber um nariz que não é seu.

Belo vídeo de apresentação do Instant Articles. Os recursos impressionam, como evidencia o trabalho realizado pelo NY Times sobre a ginasta olímpica Laís Souza (com direito a versão em português).

Se alguns produtores de conteúdo estão ansiosos para também testar o recurso, outros questionam porque essas empresas optaram por esse caminho. O Nieman Journalism Lab indaga: foi uma jogada inteligente em sintonia com os atuais hábitos de consumo da informação ou uma rendição?

Facebook, o entregador de jornais em tempo integral

A partir dessa quarta (13/05), o site Poynter indica que o New York Times pode passar a entregar textos completos dentro do próprio Facebook. O recurso, intitulado “Instant Articles”, também deve ser utilizado por outras publicações, como BuzzFeed e National Geographic.

Hospedar conteúdo na rede social trará ganhos de audiência e de receita, já que boa parte do valor dos anúncios cai direto na conta das publicações. O convite partiu do Facebook, essa intranet que abocanha toda a internet.

O caçador de cliques

Como descobrir o que vai se espalhar pela internet? Neetzan Zimmerman, o “Guru do Viral”, explica seu método. Inicialmente, o curador de conteúdo deve deixar de lado seus interesses pessoais.

Para identificar os futuros hits da internet, é preciso apostar nas histórias que podem gerar maior impacto emocional no público: “Qualquer coisa que possa capturar a imaginação de um grupo grande merece atenção… e eu não julgo”.

É só o começo. Os demais pontos listados por Zimmerman você encontra no YouPix.

A tecnologia da higiene segue, daí, para detergentes. A cozinha caseira fica limpa. Técnicas mais e mais sofisticadas chegam a hospitais e, de lá, para as salas sem um grão de poeira necessárias para a confecção de microchips. O computador ou o celular só existem por conta do pesado investimento em limpeza.

O ar condicionado permitiu a popularização do cinema. O controle da luz artificial e do vidro tornam possível a comunicação digital por fibra óptica. A habilidade de medir com precisão a hora é o que possibilita a geolocalização por GPS. E por trás de cada um destes avanços estão homens sem a fama de um Bill Gates ou de um Steve Jobs. Homens igualmente revolucionários.

O esgoto também permitiu acesso à água encanada (e o surgimento do metrô). A limpeza da rede hidrográfica, importante para garantir água potável, possibilitou o surgimento de piscinas públicas. Elas, por sua vez, modificaram costumes: os trajes ficaram menores, não apenas os de banho.

A higiene resultou em mais saúde, claro. Mas não só. O asseio estava em todo lugar, tornando os ambientes mais assépticos, algo necessário para a criação… dos microchips. Pedro Doria comenta o livroComo chegamos até aqui”, do ótimo Steven Johnson.

A tecnologia tem um papel decisivo aí, claro: na rapidez com que um veredito se espalha nas redes, na recompensa imediata em popularidade para os inquisidores. Também na duração do sofrimento das vítimas

Michel Laub, sempre ótimo, comenta o livro “So You’ve Been Publicly Shamed” (“então você foi humilhado publicamente”, Riverhead Books, 304 págs.), de Jon Ronson. A obra aborda nossa capacidade de lançar, através das mídias digitais, julgamentos rápidos e que geralmente suplantam -e muito- o deslize cometido

Kutiman é conhecido por suas colagens sonoras a partir de conteúdo amador. Ele garimpa o Youtube e, extraindo trechos sonoros de vários vídeos, cria suas canções. Agora foi a vez do produtor israelense ganhar releitura. Não é tão fodástico quanto os discos de Kutiman, Thru You e Thru You Too, mas vale a audição. Abaixo, você confere a versão “original”.