A arte de contar histórias

David Shiyang Liu criou uma bela apresentação visual para as palavras do radialista Ira Glass sobre storytelling e indústria criativa.

Para Glass, coragem é o que separa o simples bom gosto da grande obra. Além disso, a única maneira de preencher a lacuna entre habilidade e ambição é se dedicar ao trabalho.

O áudio completo está no YouTube, fatiado em quatro pedaços.

Expressão audiovisual descentralizada

Essa ideia expressa pelo Godard de que o cinema morreu diz respeito a uma ideia específica de cinema. E mesmo esse cinema não morreu. Ele continua fazendo muito sentido, produzindo obras incríveis. A questão é que ele compete hoje com muitas outras práticas de expressão audiovisual. O que ele vê como “morte” é apenas um deslocamento: o “cânone” ocupa mais um lugar central, ele muda de posição, passa a conviver com outras formas, fica descentralizado. Mas mesmo assim, dentro dessa nova posição, não significa que tenha perdido vigor. Nunca se produziu tantos filmes ou tanta música. Esse momento atual representa também uma explosão de criatividade.

Ronaldo Lemos

Streaming: de locadora a tv com conteúdo próprio

Acima, videocast fala sobre Lilyhammer e Battleground, produções que chegam primeiro via sites de vídeo por demanda (Netflix e Hulu, respectivamente).

Serviços de streaming de dados (aperte o play e assista/escute online, sem necessidade de baixar o arquivo) podem virar uma ótima opção para o consumidor. Não apenas pela comodidade da proposta (assista via computador, celular, tablet…), mas por ampliar as opções de conteúdo.

Lilyhammer chega simultaneamente para diversos mercados. Brasil, muitas vezes esquecido, é um dos destinos. Ademais, a Netflix trouxe para América Latina, antes das tradicionais emissoras de tv, a série britânica The Hour.

Seria uma ótima oportunidade comercial investir nessas lacunas. Mapear atrações televisivas que não são exibidas (ou que chegam com com grande atraso) para além do seu país de origem. Observar os campeões de audiência via pirataria não apenas para reprovar essa prática dos consumidores, mas para descobrir justamente os anseios do público. Claro, isso exige mudança de mentalidade. E investimento. Já falei sobre o assunto antes.

Lilyhammer é só o primeiro passo da Netflix na produção de conteúdo original. A empresa resgatou a ótima sitcom Arrested Development (novos episódios previstos para 2013) e lançará, na segunda metade desse ano, a série House of Cards, drama estrelado por Kevin Spacey.

A Netflix não está só. YouTube e Huffington Post devem investir em vídeos inéditos e produzidos por profissionais.

# WeAreMusic

Enfim, Adele apareceu cantando após sua cirurgia na garganta. Seu retorno aos palcos ocorre amanhã, no Grammy 2012.

A premiação musical vem passando por reformas. Ao se aproximar dos hábitos e interesses da nova geração, os organizadores querem atualizar o evento. Abraçar as novas tecnologias e apresentar nomes alternativos ao mainstream são exemplos dessa mudança de postura que busca realizar um cruzamento entre música, marketing e mídias sociais.

A ideia já gerou as campanhas We’re All Fans e MusicIsLifeIsMusic.

#WeAreMusic, que representa a valorização das raízes da música, é o norte da premiação em 2012. A agência TBWA, parceira do Grammy nos últimos cinco anos, chamou artistas como Adele, Skrillex, Bon Iver e Foo Fighters para traduzir em imagens essa proposta. O conceito dos vídeos é identificar, a partir de partículas, o DNA musical de cada músico. Vídeos abaixo.

Os novos rumos da indústria fonográfica

E no Brasil? Há crescimento da música digital como comércio por aqui. Mas o mercado é relativamente pequeno. Em 2011, a venda de álbuns digitais no mundo foi maior que a de discos físicos.

De toda forma, acho que o modelo de assinatura via streaming soa mais convidativo para o consumidor que a compra online por download.

E a pirataria, o que tem a ver com tudo isso? Neil Young afirmou recentemente que “a pirataria é  a nova rádio”. Ao invés de combatê-la, é possível usá-la como estratégia de negócios.

Abaixo, uma apresentação traz mais informações sobre o impacto do digital na indústria musical.