A fatura dos serviços gratuitos sempre chega?

As mudanças anunciadas recentemente pelo Google exemplificam alguns dos perigos oferecidos pelos serviços gratuitos. Privacidade e segurança dos dados são as questões mais lembradas, mas não são os únicos tópicos delicados. As regras podem ser mudadas no meio da partida, o que deixa caminho livre para todo tipo de nova abordagem. Ou seja, a base da relação é incerta, por mais que os usuários não percebam isso.

Além de pagar, resta aos descontentes migrar os dados para outro serviço (alternativa nem sempre presente) ou apagar sua conta. Em todo caso, ir para outro destino não é atraente. O vínculo criado para o espaço original perdura. A audiência e os sites de busca ainda apontam para o endereço primário.

Sabendo desse laço, as empresas passam a cobrar, muitas vezes adotando valores elevados. Como foi o caso do Ning (sistema de criação de redes sociais) e do Soundcloud. São ferramentas que construíram sua popularidade alardeando a gratuidade do serviço.

Mesmo que a mudança não gere cobrança, os descontentamentos podem ser enormes. Como ocorre com o inconstante Facebook. Funciona como um casamento ruim: você vai ficando porque soa mais cômodo.

É por isso que recomendo, sempre que possível, a utilização de domínios próprios (seunome.com). São espaços que permitem maior controle. Está tendo problemas com o provedor atual? Parta para outro. Ademais, o serviço que utiliza pode ser descontinuado, perder popularidade, ser vendido para outra empresa…

Já estou na rede há um bom tempo. Já vi muito trabalho bacana desaparecer junto com o Geocities, Tripop, MySpace… Por isso, se você largou seu blog para fugir com as redes sociais do momento… No caso de produtores de conteúdo, o ideal é utilzar espaços múltiplos, mas integrados, e não adotar um único destino (que não é seu, de fato).

Esse é um papo longo, que explorei como convidado no blog da agência de comunicação Virta. Passa lá.

Expressão audiovisual descentralizada

Essa ideia expressa pelo Godard de que o cinema morreu diz respeito a uma ideia específica de cinema. E mesmo esse cinema não morreu. Ele continua fazendo muito sentido, produzindo obras incríveis. A questão é que ele compete hoje com muitas outras práticas de expressão audiovisual. O que ele vê como “morte” é apenas um deslocamento: o “cânone” ocupa mais um lugar central, ele muda de posição, passa a conviver com outras formas, fica descentralizado. Mas mesmo assim, dentro dessa nova posição, não significa que tenha perdido vigor. Nunca se produziu tantos filmes ou tanta música. Esse momento atual representa também uma explosão de criatividade.

Ronaldo Lemos

Tudo é remix: a falha do sistema

A última parte de Everything Is a Remix, uma série sobre cultura digital. O quarto episódio aborda como nosso sistema legal não reconhece a natureza derivativa da criatividade. Num novo cenário, em que as ideias estão cada vez mais interligadas, esse sistema mostra-se ultrapassado.

Kirby Ferguson já pensa no seu novo projeto, This is Not a Conspiracy Theory. Você pode ajudá-lo:

Streaming: de locadora a tv com conteúdo próprio

Acima, videocast fala sobre Lilyhammer e Battleground, produções que chegam primeiro via sites de vídeo por demanda (Netflix e Hulu, respectivamente).

Serviços de streaming de dados (aperte o play e assista/escute online, sem necessidade de baixar o arquivo) podem virar uma ótima opção para o consumidor. Não apenas pela comodidade da proposta (assista via computador, celular, tablet…), mas por ampliar as opções de conteúdo.

Lilyhammer chega simultaneamente para diversos mercados. Brasil, muitas vezes esquecido, é um dos destinos. Ademais, a Netflix trouxe para América Latina, antes das tradicionais emissoras de tv, a série britânica The Hour.

Seria uma ótima oportunidade comercial investir nessas lacunas. Mapear atrações televisivas que não são exibidas (ou que chegam com com grande atraso) para além do seu país de origem. Observar os campeões de audiência via pirataria não apenas para reprovar essa prática dos consumidores, mas para descobrir justamente os anseios do público. Claro, isso exige mudança de mentalidade. E investimento. Já falei sobre o assunto antes.

Lilyhammer é só o primeiro passo da Netflix na produção de conteúdo original. A empresa resgatou a ótima sitcom Arrested Development (novos episódios previstos para 2013) e lançará, na segunda metade desse ano, a série House of Cards, drama estrelado por Kevin Spacey.

A Netflix não está só. YouTube e Huffington Post devem investir em vídeos inéditos e produzidos por profissionais.