Uma parada de sucessos mais diversificada

[…] o conceito de “música” está mudando, e o Youtube tem uma enorme culpa disso. O que é ótimo! Hoje as pessoas curtem e compartilham não apenas as músicas originais dos grandes artistas, mas covers, dublagens inusitadas, paródias, coreografias (vide o fenômeno Harlem Shake), pout-porris (o primeiro hit do Youtube foi Evolution of Dance) e outras formas inclassificáveis.

[…] Esses amadores, na definição literal, apaixonados por música, que entregam uma arte diferente,remixada, estiveram por muito tempo isolados da indústria e dos outros artistas. O Youtube pode de certa forma “legalizá-los”. O YMK promete repartir a sua receita com todo mundo que se inscrever, baseado no número de execuções.

Enquanto muitos observam a celeuma criada por artistas que desconfiam dos serviços musicais de streamingPedro Burgos mostra como a tendência – em especial, o novo YouTube Music Key – pode beneficiar quem cria arte derivada. O que muitas vezes surge sem almejar ganhos financeiros, agora pode trazer mais do que visibilidade para seus criadores.

Taylor Swift é o exemplo mais recente de músicos questionando novas formas de consumir música e de monetizar o trabalho artístico. Dependendo do analista, serviços de streaming, a pirataria dentre outras práticas podem surgir como soluções ou vilões pela desvalorização da música enquanto mercadoria.

Entretanto, os problemas da indústria fonográfica precedem essas questões.  Assim como o mercado editorial, a indústria do disco entrou no novo século com muitos esqueletos no armário. Disputas sobre a divisão do lucro, pagamento de jabás para manipular as paradas musicais, interferências na visão artística dos contratados (discos engavetados ou pressão para que faixas fossem cortadas ou refeitas) jogam contra a visão de “como era verde o meu vale”.  Poucos eram os artistas que enfrentavam o status quo, como Prince e George Michael, que lutaram por mais autonomia. O Pearl Jam foi além. Nos anos 1990, a banda encampou uma cruzada contra a empresa que dominava a venda de ingressos nos EUA. Nada contra o lucro, faz parte do jogo capitalista. O que o grupo almejava era tornar o cenário mais justo. A concentração do mercado preserva a arrecadação dos músicos. Já para os fãs era outra história. Entradas cada vez mais salgadas, com taxas difíceis de explicar que perduram até hoje.

Essas questões ficavam meio de lado pois o alicerce desse negócio era a venda exacerbada de poucos artistas. Cada grande sucesso eclipsava o fato de vários outros fracassarem comercialmente. E quando o lucro começou a minguar, os problemas apareceram. Longe da autocrítica, a indústria passou enumerar vilões. Ao invés de tentar compreender o consumidor, passou a persegui-lo. No Brasil, até a carteira de estudante virou sinônimo de desvios.

Desde então, falar em salvar a indústria musical virou algo recorrente.  O desespero foi tão grande que até jogos eletrônicos, como Guitar HeroRock Band, foram elevados a essa categoria. A realidade é que grande parte desses títulos foi descontinuada. A autossustentabilidade virá de um ecossistema próprio, que coloque a música em destaque, e não de soluções esporádicas como essa. O descompasso com a contemporaneidade cobrou um alto preço às gravadoras: agora, seu destino depende mais de ideias de fora, desenvolvidas pelo setor tecnológico, do que ações gestadas dentro do seu negócio.  

Reclamar do cenário atual não surte qualquer efeito prático. O lamento dos artistas bem-sucedidos não emociona os ouvintes. A cultura da fama evidencia uma vida muitas vezes repleta de extravagâncias e conquistas materiais. Mesmo quando a pirataria era a vilã do momento, se portar como “vítima” não colava. Se era um roubo, era um delito praticado sem culpa.

O problema é que estratégias insipientes também estão envoltas em polêmicas. Os mais atingidos não são os grandes nomes. Esses ainda contam com grande suporte das gravadoras ou foram beneficiados por um bom tempo por essa estrutura: verbas elevadas para produzir discos, uma rede mundial consolidada para vender álbuns e grandes somas para divulgação. Isso ajudou a consolidar carreiras. De empregados, muitos deles se transformaram em sócios, com o aumento da margem de lucro em diversos serviços, como shows. Mesmo que nunca mais lancem um hit, terão sua renda garantida com shows que evocam os sucessos de outrora. E o circuito de apresentações ao vivo cresce. Se antes turnês internacionais pelo Brasil eram esporádicas, hoje é comum gringos nos visitarem quase anualmente.

Embora fazer parte do cast das majors fosse incerto e controverso, essa inclusão trazia vantagens. Bandas iniciantes contavam, logo em seu primeiro disco, com produtores renomados. Seus clipes eram concebidos pelos profissionais mais visados do momento. Uma leitura mais atenciosa dos contratos não raro mostrava que o acordo não sairia barato para os músicos.  Hoje, para conseguir se aproximar dessa base de sustentação, o artista tem de se desdobrar, ser um autogestor de sua arte. Ou procurar parcerias.

Independente do setor, ser calouro não é algo fácil. O sucesso muitas vezes decorre de uma jornada árdua, não raro longa, algo que contrasta com o imediatismo da vida moderna. Entretanto, embora artistas bem-sucedidos façam parte de selos menores, a verdade é que eles não possuem o mesmo poder de negociação das grandes gravadoras, que detêm os direitos autorais das músicas mais conhecidas.

Ou seja, os prejudicados de hoje são os de sempre: músicos iniciantes e independentes. Paradoxalmente, quem o novo serviço lançado do YouTube almeja valorizar. A plataforma querer, cada vez mais, remunerar artistas é uma prática bem-vinda, visto que anteriormente o YouTube era tido apenas como estratégia de divulgação. Dê o seu trabalho de graça que a recompensa virá depois. O problema é que esse amanhã é cada vez mais incerto. O Google jogou duro com as gravadoras independentes quando negociava a inclusão desses acervos no seu serviço musical. Não é uma prática exclusiva do Google,  outras empresas de streaming foram pelo mesmo caminho.

Claro, há sempre brechas no sistema, como lançar um disco silencioso e, mesmo assim, conseguir financiar uma turnê gratuita com os U$20,000 obtidos no Spotify. Isso porque o serviço remunera o artista quando se escuta mais de 30 segundos de uma faixa. E como as músicas da banda Vulfpeck tinham essa duração, escutar o disco completo não demandava alguns minutos.  Os serviços de streaming também tem suas sacadas, como o steering, o ato de colocar em evidência faixas que demandam valores menores de direito autoral.

Enquanto isso… A música vira cada vez um hobby, não uma atividade profissional. East Bay Ray, guitarrista da banda punk Dead Kennedys, mostra que o número de pessoas que vivem, de fato, de música nos EUA, vem diminuindo.

Melhores ferramentas digitais para jornalistas

Seleção bacana do Mediashift. O blog repassa ferramentas digitais que podem ser adotadas no jornalismo. É uma lista interessante.

RebelMouse é um agregador de informações publicadas nas mídias sociais. Proposta similar ao Geofeedia. Esse, todavia, foca no conteúdo gerado em determinada localidade. Há também o buscador Storyful Multisearch, que explora o que circula na web 2.0, e o Topsy, focado apenas no Twitter.

Boa parte das dicas surge para auxiliar o trabalho jornalístico, facilitando a curadoria de conteúdo, principalmente do que fui publicado nos sites mais visados. É uma movimentação natural. Grande parte da conversação ocorre nesses espaços.

Todavia, pode ser uma estratégia limitante. Muitas vezes, é difícil diferenciar fanpages de empresas jornalísticas no Facebook. Os recursos, a linguagem… São bastante similares, o que muitas vezes decorre das próprias restrições da ferramenta. Na prática, limitam-se em entrar no fluxo de interação. O que se busca é trazer temas de conversas para a mesa de bar.

Para criar uma identidade própria, é necessário sair da zona de conforto. A solução pode apontar para novos destinos, criar projetos que exploram propostas distintas. Feliz 2014!

Tudo pelo social

“Social” passou a representar o oposto do que significou durante séculos. Em vez de interação e comunicação real, atualmente definimos o termo como validação do ego através de cliques.
“Social” é o que acontece quando alguém posta uma informação pessoal -fotos, pensamentos, músicas favoritas, piadas- na internet e outra pessoa demonstra sua aprovação com o ícone de um polegar para cima, uma estrela ou coração. Se alguém é realmente “social”, vai escrever um comentário.
Os jovens não estão deixando as redes sociais. Eles estão redefinindo o termo. Passaram a adotá-lo com seu significado original: fazer contato com outros seres humanos. Comunicando. Através do diálogo imediato, vai-e-vem. A maior parte dessa interação ocorre digitalmente. Através de uma conversa em que duas (ou mais) pessoas estão trocando informações e experências. Sem publicá-las.

Texto analisa porque as redes sociais digitais mais populares, como Facebook, estão perdendo popularidade entre os mais jovens. Para eles, afora o renascimento do Twitter, aplicativos de celular são mais interessantes. Há também as delícias off line.

O que esperar de 2014?

Foi um ano bastante ausente de atualizações no blog. Com exceção do instagram, minha vida digital habitou em sossego. Desde 2012, a atenção está voltada principalmente para o mestrado, que ainda prossegue.

Aos poucos, vou retomando o Twitter, começaram a pingar novas dicas nesse blog… Mas retorno efetivo apenas no segundo semestre. 

Enquanto não nos (re)encontramos novamente, deixo vocês com as previsões do Guardian. O jornal inglês mira nas inovações tecnológicas que devem despontar no novo ano. Cidades inteligentes é uma das apostas.

No começo do post, a bela retrospectiva montada pelo cineasta Jean-Louis Nguyen.

Os “gêneros personalizados” da Netflix

O trabalho concluciu que a Netflix vem meticulosamente analisando ​​todos os filmes e programa de TV que se possa imaginar. Eles possuem um estoque de dados sobre entretenimento que é absolutamente sem precedentes.

Matéria da Atlantic desvenda os inúmeros gêneros temáticos específicos lançados pela Netflix. Ao todo, 76.897. Confira alguns no final do post. O material é tão inusitado que a Atlantic entregou ao público uma ferramenta de criação de micro-gêneros.

São descrições longas, elaboradas pelo algoritmo do Netflix a partir de metadados levantados inicialmente por uma equipe. Internamente, tais definições são caracterizadas como altgenres. Resultado: montaram um banco de dados de predileções cinematográficas.

Netflix: altgenres

  • Spy Action & Adventure from the 1930s
  • Cult Evil Kid Horror Movies
  • Visually-striking Foreign Nostalgic Dramas
  • Gritty Discovery Channel Reality TV
  • Mind-bending Cult Horror Movies from the 1980s
  • Gritty Suspenseful Revenge Westerns
  • Violent Suspenseful Action & Adventure from the 1980s
  • Time Travel Movies starring William Hartnell
  • Evil Kid Horror Movies
  • British set in Europe Sci-Fi & Fantasy from the 1960s
  • Critically-acclaimed Emotional Underdog Movies

furo de reportagem

The way to break a big story used to be simple. Get the biggest outlet you can to take an interest in what you have to say, deliver the goods and then cross your fingers in hopes that they play it large.

That’s now over. Whether it’s dodgy video that purports to show a public official smoking crack or a huge advance in the public understanding of how our government watches us, news no longer needs the permission of traditional gatekeepers to break through. Scoops can now come from all corners of the media map and find an audience just by virtue of what they reveal.

David Carr, colunista do NY Times.

Robôs invadem as redações

Um noticiário personalizado, no qual avatares apresentam atualizações de seus sites jornalísticos preferidos. Essa é a proposta da startup Guide. Demo acima. Ainda está num estágio embrionário. Impressiona pela dinâmica similar ao do telejornal, mas a apresentadora virtual tem o mesmo entusiamo da moça do GPS.

Não estranhe. Nos bastidores, os robôs já são aliados das empresas jornalísticas, dando uma força na estratégia digital. Garimpam dados e indicam caminhos, como determinar a frequência ideal de publicação de novos textos, o ritmo de mudança das notícias em destaque na página inicial, o horário mais propício para compartilhar conteúdo pelo Twitter…

A era dos sites “legisladores”

Quais as entidades no mundo capazes de criar normas autoaplicáveis para vários milhões de pessoas? Alguém pode falar China, Índia e os nove outros países com mais de 100 milhões de habitantes.

Só que existem outros exemplos pouco pensados por essa perspectiva: empresas como Apple, Microsoft, sites como Facebook, Google, Twitter, ou serviços como Instagram e similares. Estamos assistindo hoje aos primeiros passos da era dos sites “legisladores”.

Por meio dos “termos de uso” dos seus produtos (aquele documento que a maioria das pessoas não lê), essas empresas criam direitos e deveres, decidem o que pode circular ou não, gerando efeitos imediatos na vida dos seus usuários.

- Ronaldo Lemos, na Folha.

O que revistas digitais podem aprender com editores de ebook?

The bells and whistles that magazine publishers are adding to digital magazines remind me of enhanced ebooks, which book publishers got very excited about a couple of years back. They hoped that by adding video and music to an ebook, they could charge more for it. Fast forward to 2013 and enhanced ebooks are widely considered a flop. So far, readers simply haven’t been interested in paying more for them. Book publishers have scaled efforts back and are no longer trying to charge higher prices for enhanced editions.

Do paidcontent.org. “É a economia, estúpido!”

Quora desenvolve plataforma de blogs

“We’re not a site for light, viral, multimedia-sharing without text. We’re a site where people share ideas and thoughts. So the same type of people who write answers are going to be the same types of people who write on blogs.”

Marc Bodnick, executivo de produtos e negócios do site de perguntas e respostas, explica o propósito da nova ferramenta. Ao invés do monopólio da imagem encontrado em diversos serviços (Tumblr, Pinterest…), a plataforma de blogs do Quora quer destacar a produção textual autoral, não apenas a curadoria de criações alheias.

Embora grande parte do conteúdo (original ou encontrado em outros destinos) seja disponibilizado em sites de relacionamento como Twitter e Facebook, desde o ano passado é possível notar boa movimentação nas ferramentas de publicação digital. Medium, Svbtle e Feathers são algumas propostas que buscam repensar a blogosfera.