O “ouro de tolo” da comunicação digital

Redes sociais são ‘perda de tempo’ para marcas. Quem indica é a consultoria Forrester Research. Não chegaria a tanto, até porque há muitas empresas que surgiram nesse ambiente.

Por outro lado, observo essa tendência há um bom tempo, e já havia vislumbrado muitas dessas questões. Um dos erros da comunicação contemporânea é alimentar poucos espaços. Mesmo quando dão atenção a mais de um serviço, não há coordenação para favorecer a convergência de ações. E a audiência está cada vez mais saltitante entre os ambientes. O que poderia ser uma forma interessante e criativa de reforçar mensagens, se transforma numa repetição burocrática de ideias pensadas para outro formato.

Muito se fala sobre a morte da TV. É verdade que seu alcance é bem menor que outrora. Mas, do ponto de vista do marketing, seu conceito respira. A ideia de uma grande massa de olho numa única tela ainda direciona as ações. As agências persistem em procurar um substituto para o predomínio da TV, que historicamente recebe a maior fatia dos investimentos publicitários. Algo que sempre foi questionado pelos demais meios de comunicação, por sinal.

Ao invés da TV, o rei da atenção agora seria o Facebook. Entretanto, estimativas apontam que menos de 2% das atualizações das marcas chegam ao público. Para se destacar, é necessário abrir o bolso. Alegar que o Facebook muda constantemente as regras do jogo não é justificativa. Até porque a prática não é exclusiva do Facebook. De início, vários serviços digitais oferecem gratuitamente inúmeros recursos. Depois de ganhar escala, passam a cobrar pelo que antes era gratuito.

Ademais, o algoritmo que coloca em evidência o que é visualizado no news feed sempre foi um ser mutável. O próprio Mark Zuckerberg, após o nascimento da sua sobrinha não ter aparecido com destaque na timeline, solicitou que a palavra “congratulations” fosse tratada com mais carinho pelo serviço. Hoje, estima-se que cada usuário da maior rede social do mundo tem acesso a 100 histórias diárias, apesar dos seus contatos despejarem, em média, 1500 atualizações por dia.

Outro vício herdado da comunicação off line é não promover o contato bidirecional. O que ocorre, em muitos casos, é uma pregação, e não uma troca. As empresas reclamam que são pouco ouvidas, mas igualmente ignoram as demandas do consumidor. 5 em cada 6 mensagens direcionadas a empresas são ignoradas.

Facebook, Instagram, Pinterest, hashtags promocionais, ferramentas móveis (como WhatsApp)… Já vi surgirem várias “inovações” nos negócios ficarem pelo caminho. Alguém lembra da febre das compras coletivas?  A busca pela solução do momento transformou a estratégia de comunicação numa corrida pelo ouro. Quando uma rede social perde sua atração, é hora de procurar um novo garimpo, que igualmente será explorado sem muito planejamento.

Com isso, elas esquecem a mina de ouro que já possuem: seus domínios. É algo que defendo há tempos: é necessário dar mais atenção aos endereços eletrônicos, página virtual e newsletter, e serviços próprios, como sites especiais e apps. Não necessariamente institucionais, mas relacionados à sua atuação, como um site/wiki/app de receitas mantido por uma empresa alimentícia. Quanto mais direcionado, melhor. Até para aproximar o produto das demandas contemporâneas. Que tal indicar receitas para crianças? Ou dicas de pratos saudáveis? Por que não estratégias casadas, como aliar um produto próprio ao de outras empresas? Muitos desses recursos até existem, mas sua gestão é preguiçosa, sua concepção não buscou atrativos visuais e interativos.

Mudar é válido e necessário. O que ocorre atualmente, entretanto, é que os recursos utilizados são alterados, mas o resultado almejado permanece o mesmo. O jogo é outro, as regras permanecem iguais? Por isso, o mais importante é rever conceitos. De nada adiantará mudar constantemente as ferramentas de comunicação sem compreender o cenário atual. Precisamos evoluir.

Melhores ferramentas digitais para jornalistas

Seleção bacana do Mediashift. O blog repassa ferramentas digitais que podem ser adotadas no jornalismo. É uma lista interessante.

RebelMouse é um agregador de informações publicadas nas mídias sociais. Proposta similar ao Geofeedia. Esse, todavia, foca no conteúdo gerado em determinada localidade. Há também o buscador Storyful Multisearch, que explora o que circula na web 2.0, e o Topsy, focado apenas no Twitter.

Boa parte das dicas surge para auxiliar o trabalho jornalístico, facilitando a curadoria de conteúdo, principalmente do que fui publicado nos sites mais visados. É uma movimentação natural. Grande parte da conversação ocorre nesses espaços.

Todavia, pode ser uma estratégia limitante. Muitas vezes, é difícil diferenciar fanpages de empresas jornalísticas no Facebook. Os recursos, a linguagem… São bastante similares, o que muitas vezes decorre das próprias restrições da ferramenta. Na prática, limitam-se em entrar no fluxo de interação. O que se busca é trazer temas de conversas para a mesa de bar.

Para criar uma identidade própria, é necessário sair da zona de conforto. A solução pode apontar para novos destinos, criar projetos que exploram propostas distintas. Feliz 2014!

conteúdo sem fim

Um número crescente de sites jornalísticos vem se distanciando do conceito de páginas finitas, optando pelo fluxo constante de conteúdo. A página web, em grande parte uma ressaca da mídia impressa, de repente parece ultrapassada e arcaica no universo digital. Para uma geração colada ao Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat, na maioria das vezes através de celulares, esse conceito de página é tão anacrônico quanto um telefone residencial. Os editores estão correndo para alcançar essa mudança de hábitos digitais, e uma das maiores mudanças é investir no stream contínuo.
[…] A ascensão de dispositivos com telas sensíveis ao toque influenciou essa tendência. É mais fácil para os usuários seguir o fluxo do conteúdo do que tocar e esperar por seu carregamento.

Menos cliques, mais conteúdo no mesmo espaço. Boas reflexões no texto The Webpage is Dying.

O novo NYTimes.com

Acima, vídeo apresenta a nova cara da versão online do jornal New York Times. Em matéria de webdesign, branco é pretinho básico. A cor domina, mas não é o único modelo. O novo Yahoo Tech -agora liderado pelo ex-colaborador de tecnologia do NY Times, David Pogue- investe numa página de abertura formada por “tijolos”, bem ao estilo Windows Phone 8. Ao clicar nas opções, eis a matéria completa. Aí os dois projetos se encontram. Ambos apresentam fundo em tom claro. Discreto, está ali apenas para ressaltar o conteúdo, que surge no centro da página.

Para além da paleta de cores, o NY Times fez uma reforma geral: inclui até mesmo a criação de novos espaços publicitários. Para divulgar a mudança, o periódico investe nos bastidores. Entrega, por exemplo, aspectos técnicos do projeto.

A concorrência observa atentamente. Slate e Fast Company são alguns dos veículos que analisaram o novo layout. Para a CNN, o redesign do NYTimes.com aponta o futuro da publicação online.

Jornalismo mobile

Cobrir um evento tecnológico sem a utlização de câmeras DSLRS, laptops ou iPads. Na mão, apenas o celular. De texto a fotografias, tudo deve ser feito a partir do aparelho móvel. Essa é a proposta da Wired para a CES 2014, maior feira de traquitanas eletrônicas. Cada integrante da equipe circulará com um modelo diferente: iPhone 5S; Nokia Lumia 1020, Moto X e Blackberry Z30. O desafio começou hoje.

Reddit x Facebook

Reddit, which calls itself “The Front Page of the Internet,” is more influential in shaping Internet culture than its comparatively small reach would lead you to believe. Content featured on Reddit frequently “goes viral,” spreading to other websites, including Facebook.

[…] Because social networks like Facebook are all about who you know, they tend to be obsessed with authenticated identities.

[…] Reddit, by contrast, doesn’t care who you are or who you know offline. Reddit names are unconnected to real-world identities and it’s commonplace for users to create “throwaway” accounts to reveal sensitive information. In this sense, Reddit is more like the pre-social media Internet, when a New Yorker cartoonist could reasonably joke “On the Internet, no one knows you’re a dog.”

Identity isn’t the only way Reddit has learned from early Internet culture. While Facebook is organized around your friends, replicating your offline social network, Reddit is organized around topics. This is a model that parallels Usenet, the Internet’s ur-social network, a set of distributed message boards that served as a foundational influence on many builders of the contemporary commercial.

[…] Because Reddit connects strangers, it has certain advantages over Facebook, which connects friends. Ideas may spread more widely from Reddit than from Facebook despite a smaller pool of users. An idea shared between Facebook friends may peter out quickly as social networks reach saturation: an idea spread through friends who went to the same college may lose momentum when all alumni have heard about it. Reddit users are connected to many different communities, and an idea spread on Reddit’s front page may go on to spread in thousands of different groups of friends on Facebook. This power to disseminate ideas to many different social subnets may explain why Reddit memes often go viral and why Reddit has emerged as a key node in online activism.

The Atlantic

furo de reportagem

The way to break a big story used to be simple. Get the biggest outlet you can to take an interest in what you have to say, deliver the goods and then cross your fingers in hopes that they play it large.

That’s now over. Whether it’s dodgy video that purports to show a public official smoking crack or a huge advance in the public understanding of how our government watches us, news no longer needs the permission of traditional gatekeepers to break through. Scoops can now come from all corners of the media map and find an audience just by virtue of what they reveal.

David Carr, colunista do NY Times.

Robôs invadem as redações

Um noticiário personalizado, no qual avatares apresentam atualizações de seus sites jornalísticos preferidos. Essa é a proposta da startup Guide. Demo acima. Ainda está num estágio embrionário. Impressiona pela dinâmica similar ao do telejornal, mas a apresentadora virtual tem o mesmo entusiamo da moça do GPS.

Não estranhe. Nos bastidores, os robôs já são aliados das empresas jornalísticas, dando uma força na estratégia digital. Garimpam dados e indicam caminhos, como determinar a frequência ideal de publicação de novos textos, o ritmo de mudança das notícias em destaque na página inicial, o horário mais propício para compartilhar conteúdo pelo Twitter…