Expressão audiovisual descentralizada

Essa ideia expressa pelo Godard de que o cinema morreu diz respeito a uma ideia específica de cinema. E mesmo esse cinema não morreu. Ele continua fazendo muito sentido, produzindo obras incríveis. A questão é que ele compete hoje com muitas outras práticas de expressão audiovisual. O que ele vê como “morte” é apenas um deslocamento: o “cânone” ocupa mais um lugar central, ele muda de posição, passa a conviver com outras formas, fica descentralizado. Mas mesmo assim, dentro dessa nova posição, não significa que tenha perdido vigor. Nunca se produziu tantos filmes ou tanta música. Esse momento atual representa também uma explosão de criatividade.

Ronaldo Lemos

Tudo é remix: a falha do sistema

A última parte de Everything Is a Remix, uma série sobre cultura digital. O quarto episódio aborda como nosso sistema legal não reconhece a natureza derivativa da criatividade. Num novo cenário, em que as ideias estão cada vez mais interligadas, esse sistema mostra-se ultrapassado.

Kirby Ferguson já pensa no seu novo projeto, This is Not a Conspiracy Theory. Você pode ajudá-lo:

The Interrupters: documentário

Watch The Interrupters (Graphic Language) on PBS. See more from FRONTLINE.

Transformar pessoas que cometeram crimes em pacificadores. São indivíduos que têm credibilidade nas ruas justamente por causa de suas histórias pessoais. Seu trabalho consiste em intervir em conflitos antes que eles se transformem em algo maior.

Esse programa (“Violence Interrupters”) é um dos pilares da CeaseFire (cessar-fogo). A organização foi fundada pelo epidemiologista Gary Slutkin. Para ele, a disseminação da violência imita a propagação de doenças infecciosas. Por isso, o tratamento deve ser semelhante: ir atrás do mais infectado, e parar a infecção na sua fonte.

The Interrupters está online. Na íntegra.

A história de Bruce Lee

I’m Bruce Lee, documentário sobre o mestre das artes marciais. Estreia hoje, nos EUA. O vídeo não parece  promissor: apesar do título apontar para a primeira pessoa do singular, há pouco de Bruce Lee. O trailer se concentra em depoimentos de celebridades diversas, de atores a atletas. A não ser como fãs, são pessoas que não possuem ligação clara com Lee. Essa falta de embasamento resulta em declarações sobre o mito recheadas de clichês, como dizer que ele era “o Elvis das artes marciais”. Espero que jogar essa quantidade de celebridades no trailer seja apenas estratégia de divulgação, e que o filme seja mais rico que isso.

Em 1993, essa história já havia chegado à tela grande: Dragão – A História de Bruce Lee (1993). Trailer abaixo. Pivete, assisti duas vezes seguidas. Naquele tempo, você pagava para entrar no cinema e saía após assistir quantas vezes quisesse. Há quem tenha passado grande parte de períodos letivos numa sala de cinema.

Aliás, a década de 1990 marcou um breve renascimento dos filmes de lutas marciais. Na maioria das vezes, traziam o termo Shaolin no título. Esses filmes, bem como os protagonizados por novos astros das lutas, não conseguiram criar um nome tão cultuado quanto Bruce Lee, cuja influência suplanta o mundo das artes marciais: Lee virou fenômeno da cultura popular.

Até porque Lee não era conhecido apenas por sua carreira artística ou aptidão física (flexões sobre os dedos e “soco de uma polegada” são alguns de seus feitos). Ele também desenvolveu o Jeet Kune Do (recentemente rebatizado de Jun Fan Jeet Kune Do), um novo sistema de arte marcial. Ademais, lançou livros, obras que utilizada para entregar ensinamentos das artes marciais, bem como traziam seus pensamentos filosóficos. Para ele, as artes marciais eram uma metáfora para sua filosofia de vida.

Conheço gente que resolveu mudar seu destino após achar um livro sobre a filosofia de combate de Bruce Lee. Para essa pessoa, foi um sinal. Por isso, ela mudou da região Sudeste para o Nordeste do Brasil, local onde encontrou a obra rara.

Agora falta contar a história da (curta) vida do filho dele, Brandon Lee, que morreu durante a produção de um filme. Um ano após a cinebiografia da lenda, O Corvo (The Crow, 1994) virou fenômeno juvenil.

Por breve período, Brandon foi bastante cultuado. O público não era o mesmo que seu pai conquistou: para os mais jovens, ele virou uma espécie de James Dean gótico. A ótima trilha do filme ajudava: The Cure, Stone Temple Pilots, Violent Femmes, Nine Inch Nails (com Dead Souls, do Joy Division), Rage Against The Machine, The Jesus and Mary Chain…