Ser repórter

Ser repórter é perigoso – assim como viver.
Testemunha de seu tempo, ele está sempre correndo riscos: de não chegar a tempo, de não ser fiel, de escapar o furo, de perder a fonte, a confiança e às vezes a vida.
Anda sobre um fio de navalha, tentando equilibrar coragem e medo, cautela e arrojo, razão e emoção, coração e mente.
Humilde operário da busca e da revelação, ele não pode cair na tentação da vaidade e da soberba. Sabe que, como os fatos, a glória é efêmera e provisória.
Nada do que é humano lhe é estranho. Sempre encharcado de atualidade, ele circula em meio ao trágico e ao cômico, entre o sublime e o sórdido, o ordinário e o extraordinário.
É o emissário da boa e da má notícia, olhos, ouvidos e voz da sociedade. Quando a barbárie o transforma em vítima para silenciá-lo, é a civilização que deixa de ver, de ouvir e de falar. É a civilização que perde os sentidos. E o sentido.

(Texto de Zuenir Ventura lido por Cid Moreira no Fantástico)

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